sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O tempo e a vela


Aquele dia viu a fonte
Sopro do ar levemente atrevido
Passa pelo lábio emudecido
Açodamento vai e vem de alguém

Pressa repentina de um correr vazio
O vento sopra para dentro
Em vendaval sopra o meu sopro
E vivo

Cheia de ar, portanto é nada
Respiro fundo sorvo o mundo
Trago comigo a miséria ardente
De um peito cheio de repente

E morro
Desafiando a natureza
Olhos que sentem um coração que pulsa
A morte de um viver sombrio

É como o vento e uma vela
Soprando fortemente o pavio se apaga
Levemente a chama se propaga

Cheiro cinza de pavio apagado
Era a vela
Visão da lágrima esculpida
Meia vida
Vela derretida

Faço par com o ar
Cultivei o ardor de uma chama
Fui luz para o vento soprar
O único a me abraçar
E finalmente me apagar

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